Um casamento suspeito de ter sido realizado apenas para facilitar o contato com um líder de facção preso está no centro de uma operação policial deflagrada na manhã desta quinta-feira (18). Duas mulheres foram alvo de mandados de busca e apreensão por suspeita de atuar como mensageiras da alta cúpula da organização criminosa.
Segundo as investigações, elas seriam responsáveis por receber e repassar ordens de chefes da facção encarcerados em penitenciárias federais para integrantes que permanecem em liberdade, mantendo ativa a estrutura criminosa mesmo atrás das grades.
A polícia apurou que, após a transferência de líderes da chamada “Sintonia Final Geral” para presídios federais, a organização passou a usar visitantes autorizados para transmitir mensagens. O sistema, conhecido como “bate-bola”, consiste no repasse verbal de ordens durante as visitas, sem o uso de celulares ou bilhetes.
Durante as investigações, os agentes descobriram um suposto plano para ampliar essa rede de comunicação. De acordo com a polícia, uma das investigadas, que já visitava regularmente um detento federal por ser sua esposa, teria intermediado o casamento da segunda mulher com outro líder da facção preso na Penitenciária Federal de Brasília.
A união foi oficializada em março deste ano e a mulher chegou a mudar legalmente o sobrenome. No entanto, um detalhe chamou a atenção dos investigadores: apesar do casamento, ela nunca realizou visitas ao suposto marido na prisão.
Para a polícia, o fato reforça a suspeita de que a união foi apenas uma estratégia para garantir autorização de acesso ao presídio e abrir um novo canal de comunicação entre os chefes da facção e seus integrantes fora das cadeias.
As investigações também apontaram que as duas mulheres vivem no mesmo endereço, em Londrina, e possuem ligação com familiares de criminosos considerados de alta periculosidade.
A suspeita é de que o esquema ajudava a manter o fluxo de ordens da facção mesmo com seus principais líderes isolados no sistema penitenciário federal.
fonte: catve



