A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu Ademir da Costa Verrheryen, de 29 anos, acusado de perseguir, chantagear e cometer violência psicológica contra uma jovem por uma década. O criminoso, que utilizava pseudônimos como “Mestre Slar” e imagens de desenhos animados para ocultar sua identidade, foi localizado em sua residência em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. A operação foi registrada por câmeras corporais dos agentes.
O ciclo de abusos começou em 2016, quando a vítima tinha apenas 12 anos. Na época, Ademir se aproximou da adolescente em um grupo de jogos em uma rede social de mensagens, fingindo ser uma amiga. Após conquistar a confiança da menor, ele obteve conteúdos íntimos que passaram a ser utilizados como ferramenta de chantagem. Segundo a delegada Monica Areal, o agressor submetia a vítima a atos libidinosos contra sua vontade por meio de ameaças constantes.
Manipulação psicológica e o uso do Pix
As investigações revelam que Ademir desenvolveu um sistema de controle emocional e monitoramento severo. Além de ameaçar a jovem, ele estendia as intimidações aos familiares dela, afirmando conhecer seus endereços e ameaçando invadir os locais. Quando a vítima tentava cortar o contato, o criminoso utilizava transferências bancárias de um centavo via Pix para enviar mensagens nas descrições do pagamento, forçando o restabelecimento do diálogo.
Leandro Oliveira Luiz, especialista em segurança digital, explica que esse comportamento é típico de criminosos que utilizam múltiplas identidades digitais para exercer controle psicológico. “O agressor manipula as emoções da vítima para praticar chantagem e extorsão”, afirma o especialista, ressaltando a importância de verificar a autenticidade de perfis e interações em redes sociais.
Humilhação pública e acusações falsas
Para aumentar o sofrimento da vítima, Ademir criou perfis falsos com o nome dela em diversas plataformas, incluindo sites de conteúdo adulto, e enviava os links para a jovem como forma de humilhação. A perseguição se intensificou quando a vítima iniciou um relacionamento afetivo. Em represália, o agressor expôs dados do namorado da jovem e chegou a publicar acusações falsas, imputando ao casal o assassinato de uma criança.
De acordo com os investigadores, o objetivo central do criminoso era demonstrar poder e controle absoluto sobre a vida da vítima. Ademir da Costa Verrheryen responderá pelos crimes de estupro virtual, extorsão, violência psicológica e perseguição (stalking). O caso serve de alerta para os perigos do aliciamento de menores em ambientes de jogos online e para a necessidade de denúncia imediata de crimes cibernéticos.



