Aos 69 anos, Cleones Silveira decidiu transformar um sonho improvável em realidade. O ex-cabeleireiro, que dedicou 45 anos da vida à profissão, hoje vive uma rotina bem diferente: estuda medicina em Ciudad del Este, cidade paraguaia que faz fronteira com Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná.
A trajetória acadêmica começou tardiamente. Cleones concluiu o ensino médio por meio do programa Educação de Jovens e Adultos (EJA) aos 64 anos, incentivado pela esposa e pelos filhos. Três anos depois, com boas notas, conquistou a vaga no curso de medicina.
“Eu não estudei praticamente nada na vida. Tudo o que eu vejo hoje é novidade. Posso dizer que estou estudando de verdade pela primeira vez agora”, relata. Segundo ele, a decisão de encarar os estudos foi motivada pela vontade de continuar cuidando das pessoas. “Minha vida inteira trabalhei atendendo e cuidando dos outros. Pensei: por que não fazer isso de outra forma?”
Há cerca de dois anos morando no Paraguai, Cleones enfrenta desafios, principalmente a distância da família, que permaneceu no Brasil. “Essa é a parte mais difícil para mim. Eles não puderam vir de forma definitiva”, conta.
Assim como ele, milhares de brasileiros têm buscado o Paraguai para cursar medicina. Somente em 2025, mais de 12 mil solicitaram visto de estudante. Dados da Direção Nacional de Migrações indicam que, nos últimos cinco anos, mais de 43 mil brasileiros obtiveram autorização para estudar no país, sendo 32.745 vistos temporários e 10.481 permanentes.
Para Cleones, a idade nunca foi obstáculo. “Nunca é tarde para aprender. Enquanto a gente está vivo, dá para recomeçar”, afirma.



