Polilaminina reacende esperança: atleta tetraplégico do Paraná apresenta sinais positivos após aplicação experimental

O uso da polilaminina no tratamento de lesões na medula espinhal tem renovado a esperança de pacientes e familiares. O atleta paranaense tetraplégico William Carboni Kerber, de 27 anos, foi um dos poucos autorizados até agora a receber o composto experimental, que ganhou repercussão recente após resultados promissores em estudos preliminares.

A cirurgia foi realizada no último sábado (21), em Foz do Iguaçu, no oeste do estado. Natural de Palotina, William perdeu os movimentos do pescoço para baixo após sofrer fraturas na coluna torácica e lesões na medula em um grave acidente automobilístico em 2025. Na época, ele atuava como atleta do Suzano Vôlei.

A polilaminina foi recriada em laboratório a partir da laminina — proteína produzida pelo corpo humano, especialmente durante o desenvolvimento embrionário — e está sendo estudada como possível ferramenta para estimular a regeneração de tecidos nervosos.

O procedimento foi conduzido pelos neurocirurgiões Bruno Cortes e João Elias El Sarraf, além do pesquisador médico Artur Luiz, integrantes do núcleo de pesquisa liderado pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A equipe estuda a substância há mais de três décadas.

Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, William descreveu a emoção após receber o tratamento. “É inexplicável. Algo que parecia distante está se tornando realidade”, afirmou.

Estudos preliminares divulgados pela equipe indicaram taxa de recuperação motora de até 75% entre alguns pacientes avaliados, embora a pesquisa ainda não tenha passado por revisão por pares e não represente evidência conclusiva. Especialistas ressaltam que os resultados são iniciais e que a eficácia precisa ser confirmada em estudos mais amplos.

Segundo o laboratório Cristália, as aplicações realizadas até o momento não integram um ensaio clínico formal com protocolo estruturado de acompanhamento. Ainda assim, a repercussão levou pacientes a buscar acesso ao tratamento por vias judiciais.

A Anvisa autorizou o início de um estudo clínico oficial, previsto para começar no próximo mês. Caso as três fases de testes confirmem segurança e eficácia, a expectativa é que a polilaminina possa se tornar disponível ao público em até cinco anos.

Apesar de ainda não ser uma cura comprovada, o avanço representa um marco importante na busca por terapias capazes de restaurar funções motoras em pessoas com lesão medular — e reacende a esperança de milhares de pacientes no país.

fonte: g1.globo