À margem do glamour do Festival de Cinema de Veneza, milhares de pessoas se reuniram no último sábado para protestar contra as ações de Israel na Faixa de Gaza. A manifestação, organizada por grupos políticos de esquerda da região, ocorreu a poucos quilômetros do tapete vermelho, onde estrelas como George Clooney, Julia Roberts e Emma Stone têm desfilado. O evento chama a atenção para a crescente onda de manifestações e demonstrações de solidariedade ao povo palestino no cenário internacional.
A causa palestina encontrou eco entre diversos artistas presentes no festival. A diretora marroquina Maryam Touzani e seu marido, o cineasta Nabil Ayouch, exibiram um cartaz com a mensagem “Stop the genocide in Gaza” no tapete vermelho. Anteriormente, o diretor grego Yorgos Lanthimos já havia expressado seu apoio usando um broche com as cores da bandeira palestina durante a coletiva de imprensa de seu filme “Bugonia”.
Um coletivo de cineastas italianos independentes, denominado ‘Venice4Palestine’ (V4P), também se manifestou, apelando por uma condenação à guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Em uma carta aberta, o grupo, que afirma ter reunido 2.000 assinaturas, incluindo nomes de peso do cinema internacional, pediu ao festival que não se tornasse “uma tribuna triste e vazia” e que adotasse uma posição clara sobre o conflito. Fabiomassimo Lozzi, um dos fundadores do V4P, declarou à AFP: “O objetivo da carta era colocar Gaza e a Palestina no centro da atenção pública em Veneza, e foi isso que aconteceu”.
Em resposta às manifestações, o diretor da Mostra, Alberto Barbera, afirmou que a Bienal “não adota posições políticas diretas”, mas se declarou sensível à situação em Gaza. A organização do festival parece buscar um equilíbrio entre o compromisso com a arte e a pressão para se posicionar diante de questões geopolíticas urgentes. A controvérsia se instala como um pano de fundo para a exibição de filmes e a premiação dos destaques do festival.
A Mostra de Veneza ainda exibirá o filme “The Voice of Hind Rajab”, da franco-tunisiana Kaouther Ben Hania, que conta a história real de uma menina palestina assassinada pelas forças israelenses em janeiro de 2024. A gravação da ligação em que Hind Rajab pedia ajuda, utilizada no filme, gerou grande comoção mundial. A exibição do filme promete reacender o debate sobre o conflito e suas vítimas no cenário do festival.



