Policial é morto a tiros após ter arma tomada por criminoso durante abordagem

O soldado da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) Paulo Henrique Carvalho Faccin, de 28 anos, morreu na tarde de sábado (15) em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, após ser baleado na cabeça durante uma abordagem policial. O autor do disparo, um jovem de 25 anos, também morreu no local após ser atingido por outro policial que participava da ação.

O caso ocorreu no bairro São Luiz Gonzaga, próximo a um bar na Rua Olavo Bilac. Segundo a Polícia Militar, os soldados Paulo Henrique e o soldado Grola realizavam patrulhamento quando receberam informações sobre a presença do suspeito, que era foragido do sistema prisional e tinha um mandado de prisão em aberto com mais de três anos de pena a cumprir. Durante a abordagem, o criminoso teria reagido e entrado em luta corporal com os policiais. Na briga, ele conseguiu tomar a arma do soldado Paulo Henrique e efetuou dois disparos contra ele, atingindo-o na cabeça. Na sequência, o suspeito tentou fugir e atirou contra o soldado Grola, que reagiu e acabou atingindo o foragido.

Moradores que estavam no local levaram o policial baleado para dentro de uma viatura e o conduziram até a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim. No caminho, o pneu do carro furou, e a vítima precisou ser transferida para outro veículo. Paulo Henrique chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital. Uma equipe do Samu foi acionada e constatou a morte do suspeito ainda no local.

O soldado Paulo Henrique havia ingressado na Polícia Militar em novembro de 2024 e concluído o Curso de Formação de Soldados em 2025. Ele pertencia ao 9º Batalhão da PMES. Amigos e colegas de farda o descreveram como “mais do que um simples irmão de farda” e um exemplo para as pessoas ao redor. Paulo Henrique sonhava em se tornar oficial da corporação e havia retomado os estudos para tentar uma vaga no Curso de Formação de Oficiais (CFO). “A gente sempre falava que nosso sonho não pararia por ali, que a gente buscaria coisas maiores”, disse um amigo que preferiu não se identificar.

O velório do soldado ocorreu no 9º Batalhão da PM em Cachoeiro de Itapemirim. O sepultamento foi realizado no domingo (16) no Cemitério do bairro Aeroporto, com cortejo pelas ruas da cidade. Uma salva de tiros, pétalas de rosas e aplausos marcaram a despedida.

O governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, publicou nota de pesar e decretou luto oficial de três dias. Em entrevista durante o velório, o comandante-geral da PMES, coronel Rubim, criticou o sistema penal: “Ele não deveria estar em via pública, deveria estar recolhido no xadrez, preso, mas essa frouxidão no nosso sistema penal permite que isso aconteça”. O caso foi registrado na 7ª Delegacia Regional de Cachoeiro de Itapemirim e será investigado pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) do município.