A Polícia Civil de São Paulo investiga se o pai de Kratos Douglas, de 11 anos, filmava e comercializava imagens das agressões e torturas sofridas pelo menino, encontrado morto dentro da casa onde vivia com a família no bairro Itaim Paulista, na Zona Leste da capital.
A suspeita surgiu após os investigadores localizarem diversos computadores, HDs, cartões de memória e uma grande quantidade de câmeras instaladas em diferentes pontos do imóvel. O material foi apreendido e será analisado pela perícia.
“A casa era monitorada, havia vários computadores. Nós apreendemos computadores, HDs e vários tipos de memória. Tudo isso será encaminhado para verificar o material”, afirmou o delegado Thiago Bassi nesta quinta-feira (14). Segundo a delegada Ancilla Dei Vega Dias Baptista Giaconi, a Justiça já autorizou a quebra de dados telemáticos para aprofundar a investigação.
O pai, de 52 anos, a avó paterna, de 81, e a madrasta, de 42, estão presos e foram indiciados por tortura com resultado morte, crime que pode render pena de até 16 anos de prisão. De acordo com a polícia, os três teriam participado diretamente das agressões. As apurações apontam que Kratos era acorrentado e submetido a torturas há pelo menos um ano.
A polícia também apurou que, desde que a família se mudou para a residência, há cerca de um ano, a criança praticamente não era vista fora do local.
“Falamos com diversos vizinhos e todos foram unânimes em dizer que a criança sequer era vista. A maioria disse que não sabia nem da existência dela na casa”, relatou o delegado.
Kratos não estava matriculado em nenhuma escola na capital paulista. O último registro escolar encontrado é de uma instituição localizada em Bauru, no interior de São Paulo, em 2024.



