Uma megaoperação deflagrada nesta quinta-feira, denominada ‘Carbono Oculto’, expôs um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal que envolve a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), empresas do setor de combustíveis e instituições financeiras sediadas na Avenida Faria Lima, em São Paulo. A ação, considerada a maior da história do país contra a infiltração do crime organizado na economia formal, mobilizou 1.400 agentes e cumpriu 200 mandados de busca e apreensão em dez estados brasileiros.
A investigação aponta que o PCC movimentou cerca de R$ 52 bilhões, ocultando os recursos por meio de 40 fundos de investimento. A Justiça determinou a indisponibilidade de quatro usinas de álcool, cinco administradoras de fundos e cinco redes de postos de gasolina, abrangendo 300 endereços de venda de combustíveis em todo o país. Além disso, 17 distribuidoras de combustíveis, quatro transportadoras de cargas, dois terminais portuários, duas instituições de pagamento, seis refinadoras e formuladoras de combustível, 21 pessoas físicas e até uma rede de padarias estão sendo investigadas.
Um dos principais alvos da operação é o BK Bank, uma fintech que teria registrado R$ 17,7 bilhões em movimentações financeiras suspeitas. As autoridades estimam que 80% dessas transações estejam ligadas ao PCC. A Receita Federal calcula que o esquema criminoso sonegou R$ 1,4 bilhão em tributos federais e R$ 7,6 bilhões em impostos estaduais.
A Reag Investimentos e a Rede Boxter de Combustíveis também foram citadas na investigação. A Reag administrava o fundo Location, cujo único cotista, Renato Steinle de Camargo, seria um ‘testa de ferro’ de empresários ligados ao PCC. Depósitos de R$ 54 milhões levantaram suspeitas do Santander, que notificou o Coaf, e a análise das movimentações financeiras revelou que R$ 45 milhões tinham origem em uma conta de um dos empresários investigados.
As investigações apontam que o principal cliente do BK Bank era a distribuidora de combustíveis Aster, pertencente a um dos empresários ligados ao esquema. Dos R$ 17,7 bilhões em movimentações suspeitas, R$ 2,22 bilhões foram destinados à Aster, que já teve sua atuação suspensa pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Os promotores do MP-SP suspeitam de vazamento da operação, pois alguns investigados abandonaram suas casas antes da chegada da polícia.
Autoridades se manifestaram sobre a megaoperação. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, defendeu a aprovação da PEC da Segurança, que visa fortalecer a integração entre as forças de segurança do país. “O crime organizado não é mais local, é global”, afirmou Lewandowski, destacando a importância da cooperação entre diferentes órgãos públicos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, elogiou a colaboração entre as autoridades, ressaltando que a operação atingiu o topo do sistema financeiro.