Ministério da Saúde suspende vacina da dengue do Butantan após investigação de mortes suspeitas

O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan a partir desta segunda-feira (8). A decisão foi tomada após o registro de duas mortes suspeitas e dezenas de eventos adversos graves que estão sob investigação.

O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa realizada em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e representantes do Instituto Butantan.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 500 mil doses da vacina já foram aplicadas em todo o país. Até o momento, foram registrados 42 casos de reações graves possivelmente associadas ao imunizante, incluindo duas mortes e um terceiro caso considerado grave.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que ainda não há comprovação de que os casos tenham sido causados pela vacina.

“Não existem dados suficientes para estabelecer uma relação de causalidade entre a vacina e esses casos graves. No entanto, trata-se de um sinal de alerta que exige investigação aprofundada”, afirmou.

A pasta informou que todos os registros seguem em análise pelos sistemas municipais e estaduais de vigilância em saúde, com apoio de especialistas.

Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira contra a dengue produzida integralmente no Brasil e a primeira do mundo aplicada em dose única. A campanha de imunização teve início neste ano, priorizando profissionais da saúde.

Como medida preventiva, o Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento e monitoramento de possíveis reações adversas.

Durante a coletiva, o governo também destacou que os eventos graves observados na farmacovigilância não haviam sido identificados nos estudos clínicos conduzidos pelo Butantan. A pesquisa, realizada com cerca de 16 mil voluntários, apontou eficácia e segurança do imunizante e teve seus resultados publicados na revista científica Nature.

A suspensão permanecerá em vigor até a conclusão das análises que irão determinar se existe ou não relação entre a vacina e os casos registrados.
fonte:g1