O litoral de Santa Catarina registrou a morte de 1.910 pinguins-de-magalhães no primeiro semestre de 2026, o maior índice contabilizado para o período desde 2015. O recorde de mortandade, impulsionado pelas ocorrências do mês de junho, é investigado por pesquisadores, que apontam a exaustão física durante o processo migratório como a principal causa dos óbitos.
Os dados foram divulgados pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). Segundo a organização, cerca de 90% das aves encontradas sem vida são juvenis que enfrentam a chamada “síndrome do pinguim encalhado”. Esses animais partem de colônias na Patagônia argentina e, após longa jornada, chegam à costa brasileira extremamente debilitados e com baixíssima reserva de gordura. O coordenador-geral do projeto em Santa Catarina e no Paraná, André Barreto, destaca que a média histórica para o mês de junho é de 350 pinguins, o que torna o volume atual expressivamente atípico e preocupante.
Apesar de a morte de parte do bando ser estatisticamente esperada na temporada de migração, que vai até meados de setembro, os cientistas buscam entender os fatores exatos que agravaram a situação neste ano. A hipótese principal sugere uma combinação de correntes oceanográficas intensas, que acabam empurrando os animais para o litoral brasileiro, com um possível aumento na taxa de nascimentos nas colônias argentinas. Para confirmar essas suspeitas, as equipes de campo realizam necropsias diárias nas carcaças que chegam em boas condições. Ao final da temporada, o projeto fará o cruzamento dessas informações biológicas com fatores ambientais do período, como a passagem de frentes frias e eventuais impactos de atividades humanas na região.
Como a incidência de animais na costa deve continuar nos próximos meses, os especialistas alertam que a população desempenha um papel fundamental no resgate dos pinguins sobreviventes. Ao encontrar uma ave na areia, a orientação é acionar imediatamente a equipe de monitoramento pelo telefone 0800 642 3341. Os moradores não devem devolver o animal ao mar, pois há alto risco de afogamento devido à fraqueza, nem colocá-lo em contato com gelo ou tentar alimentá-lo. O procedimento correto é manter o pinguim em um local seguro e aquecido, afastado de animais domésticos e de curiosos, aguardando a chegada do resgate especializado. Também é recomendado higienizar as mãos e evitar novos toques após qualquer contato com a ave.



