Maioria dos ministros que julgará perda de patente de Bolsonaro foi indicada por Lula e Dilma

A maior parte dos ministros responsáveis por analisar os pedidos de perda de patente contra Jair Bolsonaro no Superior Tribunal Militar (STM) foi nomeada por governos do PT. Dos 15 integrantes da Corte, nove foram indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ex-presidente Dilma Rousseff. Além de Bolsonaro, estão evolvidos no julgamento outros quatro militares condenados por participação na trama golpista de 2022.

Além desses nove ministros, o tribunal conta com um integrante nomeado por Michel Temer e cinco indicados pelo próprio Bolsonaro, formando uma composição marcada por diferentes origens políticas e ideológicas.

Nomeações recentes de Lula mudam composição do STM

A Corte passou por mudanças significativas no último ano, especialmente com as nomeações feitas por Lula. Ingressaram no tribunal os generais de Exército Guido Amin Naves, em 2024, Flavio Marcus Lancia Barbosa e Anisio David de Oliveira Junior, em 2025, além da advogada Verônica Sterman, empossada em setembro do mesmo ano. Por terem pouco tempo de atuação, os perfis desses ministros ainda são considerados abertos nos bastidores da Justiça Militar.

Segundo informações da Folha de São Paulo, apesar da predominância de ministros escolhidos por governos petistas, apenas dois são apontados nos bastidores como mais alinhados à esquerda, inclusive alguns são classificados como conservadores, sendo um deles, nomeado por Dilma Rousseff. A formação atual também inclui quatro ministros indicados no atual mandato de Lula, dos quais três são estreantes, com menos de três meses de atuação no tribunal.

Entre os nomes mais identificados com o bolsonarismo estão o almirante de esquadra Leonardo Puntel e o tenente-brigadeiro do ar Carlos Augusto Amaral Oliveira, ambos indicados em 2020, durante o governo de Jair.

Já outros nomes apontados nos bastidores como mais propensos a posições favoráveis aos réus, por perfil jurídico, incluem o general Lourival Carvalho Silva e o ministro Péricles Aurélio Lima, indicado por Dilma Rousseff.