A Justiça da Itália negou o pedido de liberdade da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), mantendo-a detida enquanto tramita o processo de extradição para o Brasil. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (28), frustrando a defesa da parlamentar, que alegava problemas de saúde e solicitava que ela aguardasse o desenrolar do caso em liberdade.
Zambelli, condenada duas vezes pelo Supremo Tribunal Federal (STF), encontra-se na penitenciária de Rebibbia, em Roma. Sua defesa argumenta que o processo de extradição possui motivações políticas e já anunciou que recorrerá à Suprema Corte italiana para tentar reverter a situação.
O advogado Fabio Pagnozzi, que representa a deputada, declarou que vê um viés político na decisão. “O governo brasileiro vem forçando muito as autoridades para que esse processo da Carla seja mais rápido, mais doloroso, porém acreditamos muito na Corte Superior da Itália, onde vão aceitar os fundamentos da defesa”, afirmou o advogado.
A situação da deputada se agrava pelas condenações no Brasil. A primeira ocorreu por coordenar uma invasão hacker aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o objetivo de emitir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. A segunda condenação, já durante sua detenção na Itália, foi por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, em um incidente ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, em São Paulo.
O processo de extradição de Zambelli pode se estender por até dois anos, conforme informações divulgadas pelo Estadão. O caso segue gerando debates e tensões entre Brasil e Itália.