Gigantes Europeus do Varejo Reagem à Suspensão da Moratória da Soja e Ameaçam Boicote

A decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de suspender a moratória da soja na Amazônia gerou forte reação no mercado internacional. O acordo, vigente desde 2008, impedia a aquisição de soja cultivada em áreas desmatadas na região. A medida vinha sendo considerada um dos principais instrumentos para conter a destruição da floresta e garantir o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu.

Diante da suspensão, grandes redes de supermercados da Europa enviaram cartas às principais exportadoras de soja, incluindo ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus e Cofco. O comunicado é claro: exigem que as empresas mantenham o bloqueio à soja proveniente de áreas desmatadas, independentemente da decisão do Cade. A mensagem central é que a falta de rastreabilidade e compromisso ambiental inviabilizará a presença desses produtos nas prateleiras europeias.

A repercussão negativa do fim da moratória vai além das questões ambientais, impactando diretamente a economia brasileira. A medida pode resultar em perda de competitividade para o agronegócio, abalar a credibilidade internacional do país e criar obstáculos para negociações comerciais. A situação se agrava no momento em que o Brasil busca se consolidar como líder climático, especialmente com a proximidade da COP30 em Belém.

“O risco do fim da moratória vai muito além da questão ambiental. Significa perda de competitividade para o agronegócio brasileiro, abalo à credibilidade internacional e entrave para negociações comerciais”, alerta um especialista do setor. A pressão dos supermercados europeus sinaliza que a devastação ambiental tem um custo elevado, expondo o país a barreiras comerciais cada vez mais rigorosas.

Proteger a Amazônia se apresenta, portanto, não apenas como um imperativo ambiental, mas como uma estratégia essencial para a economia, a diplomacia e o futuro do Brasil no cenário global. A resistência de alguns setores em fortalecer compromissos ambientais coloca em risco a posição do país no mercado internacional, especialmente diante de novas regulamentações como a da União Europeia contra produtos ligados ao desmatamento.