Gás de cozinha deve subir até R$ 34 no Paraná

O gás de cozinha deve ficar mais caro nos próximos dias no Paraná após um reajuste praticado pelas distribuidoras, que já repassam às revendas aumentos de até R$ 34 por botijão em diferentes faixas de consumo.

Reajuste chega às revendas

Em empresas de Curitiba, os novos valores ainda não aparecem ao consumidor, mas o setor estima que o repasse ocorra em breve, já que o produto chegou mais caro às revendedoras. Segundo representantes do segmento, o movimento reflete a alta dos insumos e o encarecimento do mercado internacional, influenciado pelo cenário de guerra no Irã.

Para o presidente do Sinregas-PR, Robsonn Carneiro, a estrutura de custos não permite segurar a alta. Ele afirma que “todos os insumos subiram, inclusive o diesel utilizado no transporte, e as empresas não têm como absorver esse aumento”. Na avaliação dele, “o reajuste precisa ser repassado praticamente na íntegra para que a conta feche”.

De acordo com o Sindicato dos Revendedores de Gás do Paraná, no caso do botijão de 13 quilos, o mais usado pelas famílias, a alta pode chegar a R$ 10 por unidade. Para o P20, voltado principalmente a comércios, o aumento estimado é de R$ 15, enquanto o P45, utilizado por condomínios e estabelecimentos maiores, deve ficar até R$ 34 mais caro.

Subsídio federal tenta conter impacto

Para tentar reduzir o impacto no orçamento das famílias, o governo federal anunciou um subsídio ao gás de cozinha. A medida prevê uma compensação que corresponde à diferença entre o preço nacional e o internacional do produto, com aporte estimado em até R$ 330 milhões.

O benefício se soma a programas sociais já existentes, voltados a famílias de baixa renda. Ainda assim, revendedores afirmam que o avanço dos custos no atacado e na logística tende a pressionar o valor final ao consumidor, especialmente no botijão de 13 quilos.

Setor critica aumentos e ameaça deixar programa social

Em nota, a Abragas informou que as revendedoras receberam com indignação os aumentos e avaliam a possibilidade de sair do programa social Gás do Povo, que oferece recargas gratuitas de botijões para famílias inscritas no CadÚnico.

Na visão de Robsonn Carneiro, o programa tem papel importante no atendimento à população mais vulnerável, mas o momento é de apreensão. Ele ressalta que “o Gás do Povo ajuda muitas famílias, porém o setor está preocupado com a sustentabilidade da operação diante dessa escalada de custos”. O dirigente acrescenta que as revendas “buscam alternativas para continuar atendendo, mas o espaço para manobra é cada vez menor”.