Fungo altamente contagioso transmitido por sexo acende alerta global

Um fungo considerado altamente transmissível e associado ao contato íntimo tem colocado autoridades sanitárias em alerta em diversos países da Europa, além dos Estados Unidos, Canadá e regiões do Oriente Médio. O Trichophyton mentagrophytes tipo VII (TMVII), apelidado informalmente de “percevejo sexual”, vem sendo identificado em surtos recentes e já é monitorado como uma possível preocupação de saúde pública internacional.

A infecção costuma afetar principalmente a região genital, mas pode se espalhar para nádegas, coxas e abdômen. Popularmente conhecida como “coceira na virilha” quando atinge áreas íntimas, a doença é causada por um dermatófito — fungo que se alimenta de pele morta, cabelos e unhas.

Embora não seja considerada letal, a infecção pode provocar lesões persistentes, coceira intensa, desconforto significativo e até deixar marcas na pele quando o tratamento não é iniciado rapidamente.

O alerta ganhou força após o aumento de registros na Europa, especialmente em países como França, Alemanha e Espanha. Em alguns locais, autoridades relataram crescimento expressivo de diagnósticos dentro de redes de contato íntimo, reforçando a preocupação com a forma de disseminação.

O TMVII se espalha principalmente por contato direto com a pele infectada. Relações sexuais são um dos principais meios de transmissão, mas não o único. O compartilhamento de toalhas, roupas íntimas ou roupas de cama também pode facilitar a propagação. Diferentemente de doenças respiratórias, o fungo não é transmitido pelo ar.

Diagnóstico pode ser desafiador

Um dos principais desafios para equipes de saúde é a identificação correta. Nos estágios iniciais, a infecção pode ser confundida com alergias, assaduras ou outras micoses comuns. Entre os sintomas estão manchas avermelhadas, coceira intensa, descamação e lesões com bordas bem definidas, que podem se expandir ao longo de dias ou semanas.

Especialistas explicam que o intervalo entre o contato com a pessoa infectada e o surgimento dos sinais pode variar, favorecendo a transmissão silenciosa. Muitas pessoas só percebem o problema quando a irritação já está mais avançada.

Tratamento é eficaz quando precoce

Apesar da preocupação, o tratamento costuma ser eficaz quando iniciado cedo, com o uso de antifúngicos específicos. A demora no diagnóstico, porém, pode prolongar os sintomas e aumentar o risco de contágio.

Autoridades de saúde ressaltam que qualquer pessoa sexualmente ativa pode ser afetada. Embora parte dos casos tenha sido registrada entre homens que fazem sexo com homens, não há restrição a um grupo específico — o principal fator de risco é o contato pele a pele.

Para reduzir o risco de infecção, especialistas recomendam medidas simples: uso de preservativo, evitar contato íntimo na presença de lesões, não compartilhar itens pessoais e manter boa higiene da região íntima. Em caso de coceira persistente ou manchas que não melhoram, a orientação é procurar avaliação médica.

O avanço do Trichophyton mentagrophytes tipo VII reforça a importância da vigilância contínua diante de infecções que podem circular de forma silenciosa. Informação clara, diagnóstico precoce e prevenção são fundamentais para conter a disseminação e evitar a ampliação de surtos.

fonte: obemdito