Bombeiro e tio empresário são acusados de desviar doações de vítimas das enchentes no Paraná

O Ministério Público do Paraná (MPPR) ajuizou uma ação civil pública por improbidade administrativa contra um capitão do Corpo de Bombeiros, de 44 anos, e seu tio, empresário de 53, suspeitos de desviar doações destinadas a ações humanitárias.

O caso foi registrado em Curitiba e envolve um suposto esquema de subtração e comercialização de donativos que deveriam atender vítimas das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.

As investigações começaram após apuração do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que identificou uma estrutura organizada para retirada irregular de materiais armazenados em barracões da Defesa Civil estadual.

Entre os itens desviados estão ferramentas, equipamentos, roupas, produtos de higiene e até instrumentos musicais — todos destinados à ajuda humanitária.

De acordo com o MP, o capitão utilizava o cargo para acessar os depósitos e retirar os donativos. Em seguida, os materiais eram repassados ao tio, que ficava responsável pela venda dos produtos.

Parte das mercadorias foi encontrada em um estabelecimento comercial em Curitiba, acompanhada de registros de movimentações financeiras. O valor dos itens apreendidos foi estimado em R$ 144 mil.

Na ação, o Ministério Público aponta dano ao erário, enriquecimento ilícito e grave violação à moralidade administrativa — agravada pelo fato de os recursos terem origem em doações para vítimas de uma tragédia.

O órgão pede a condenação dos investigados com ressarcimento integral do prejuízo, perda da função pública (no caso do bombeiro), suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa, proibição de contratar com o poder público e indenização por dano moral coletivo de R$ 50 mil.

Os dois também respondem a processos criminais pelos mesmos fatos — um na Justiça Militar e o outro na Justiça comum.

fonte: catve