Bebidas açucaradas podem estar ligadas ao aumento da ansiedade em adolescentes, aponta estudo

Cientistas do Líbano e do Reino Unido identificaram uma associação entre o consumo frequente de bebidas açucaradas — como refrigerantes, energéticos e sucos industrializados — e o aumento de sintomas de ansiedade em adolescentes.

A pesquisa, publicada em 10 de fevereiro no periódico científico Journal of Human Nutrition and Dietetics, analisou dados já existentes para investigar possíveis relações entre alimentação e saúde mental nessa faixa etária.

Segundo os pesquisadores, a adolescência é um período marcado por intensas mudanças hormonais, emocionais e sociais, além de ser uma fase em que os transtornos de ansiedade tendem a se tornar mais comuns. Por isso, cresce o interesse científico em entender como hábitos cotidianos — incluindo a dieta — podem influenciar o bem-estar psicológico.

O estudo foi conduzido por meio de revisão sistemática e meta-análise, reunindo resultados de diferentes pesquisas que avaliaram tanto o consumo de bebidas açucaradas quanto a presença de sintomas ansiosos em adolescentes.

Foram consideradas bebidas como refrigerantes, energéticos, chás e cafés adoçados, sucos industrializados e leites saborizados — todos com alto teor de açúcar adicionado. A análise indicou que adolescentes com maior consumo dessas bebidas apresentaram maior probabilidade de relatar sintomas de ansiedade.

Açúcar causa ansiedade?

Não necessariamente. Os próprios autores ressaltam que o estudo aponta apenas uma associação, e não prova que as bebidas açucaradas sejam a causa direta da ansiedade. Outras hipóteses incluem:
• Jovens que já apresentam ansiedade podem consumir mais açúcar como forma de compensação emocional;
• Fatores como privação de sono, sedentarismo e ambiente familiar podem influenciar tanto a alimentação quanto a saúde mental;
• O efeito pode ser indireto, ligado a alterações metabólicas e no humor.

O consumo excessivo de bebidas açucaradas já é relacionado a problemas como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Agora, a pesquisa reforça que a alimentação também pode ter impacto sobre a saúde mental — especialmente durante a adolescência, fase sensível para o desenvolvimento do cérebro.

Há indícios de que picos frequentes de glicose no sangue possam afetar humor, níveis de energia e resposta ao estresse, embora os mecanismos ainda não estejam totalmente esclarecidos.

Mesmo sem comprovar causalidade, os pesquisadores sugerem que reduzir o consumo dessas bebidas pode ser benéfico para a saúde geral, tanto física quanto mental.

Entre as recomendações estão diminuir a ingestão de refrigerantes e energéticos, priorizar água e bebidas menos processadas, observar sinais persistentes de ansiedade — como preocupação excessiva, irritabilidade e dificuldade para dormir — e buscar avaliação profissional caso os sintomas interfiram na rotina.

fonte: metrópoles