Aymoré Moreira, o técnico que conduziu a seleção brasileira à glória na Copa do Mundo de 1962 no Chile, é uma figura emblemática na história do futebol nacional. Assumindo o comando da equipe no ano anterior, ele substituiu Vicente Feola, o vitorioso técnico de 1958, que partiu para treinar o Boca Juniors. Aymoré, com sua personalidade mais enérgica, soube construir uma equipe vencedora, mantendo hábitos simples e cultivando um diálogo aberto com os jogadores.
Antes de se consagrar como treinador, Aymoré trilhou uma carreira de destaque como goleiro, defendendo as cores de clubes como América-RJ, Botafogo-RJ e Palestra Itália (atual Palmeiras). Sua experiência como jogador e sua liderança o prepararam para o desafio de comandar a seleção em um momento crucial. Uma curiosidade revelada pela revista *Manchete*, em um perfil intitulado “A história secreta do bi”, é que Aymoré gostava de criar galinhas em Taubaté, no interior de São Paulo.
Segundo Aymoré, a semente do bicampeonato foi plantada no segundo tempo da partida contra a Espanha, o terceiro jogo da campanha vitoriosa. “Aprendi, também, com amargura, que os revezes deixam poucos caminhos para o retorno à luta. Meu único mérito foi o de ter aceitado a luta, ciente das suas terríveis alternativas. Se perdesse a Copa seria um homem liquidado”, declarou Aymoré. Naquele jogo decisivo, Amarildo, escalado no lugar do lesionado Pelé, brilhou ao marcar os gols da vitória por 2 a 1.
Apesar do sucesso, Aymoré enfrentou intensa pressão para alterar a escalação da equipe, com inúmeros pedidos para afastar jogadores como Zagallo, Didi e Vavá. “O mais curioso, porém, é que, mesmo hoje, após nossa indiscutível vitória, ainda me perguntam por que os mantive. Barrar Didi corresponderia a dar de presente aos adversários uma das minhas armas mais eficientes”, ponderou o treinador, demonstrando sua convicção nas escolhas que fez. Ele também revelou a pressão exercida por clubes, como o Santos, para que levasse Calvet à Copa.
Aymoré valorizava a importância das orientações dadas aos jogadores nos intervalos das partidas, acreditando que elas foram cruciais para o sucesso da equipe. “Nossas vitórias nos segundos tempos serviram para mostrar que o escrete sempre retornava a campo melhor orientado”, afirmou o treinador. Das seis partidas disputadas, apenas na semifinal o Brasil terminou o primeiro tempo em vantagem. Ele também fez questão de exaltar Garrincha, considerando-o tão importante quanto Pelé, e reverenciou seu antecessor, Vicente Feola, como um autêntico bicampeão.
Superando todos os obstáculos, a seleção brasileira conquistou o bicampeonato mundial, consagrando jogadores que honraram o esporte nacional. Dos 22 atletas, 14 também integravam o elenco de 1958, demonstrando a continuidade do trabalho. Após a vitória, Aymoré foi recebido com festa pela população de Taubaté, celebrando o retorno do herói local.