A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prevê a aprovação de mais oito registros de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” no Brasil. O anúncio foi feito pelo presidente do órgão, Leandro Safatle, nesta terça-feira (4). A medida decorre da otimização nos processos internos para análise de remédios análogos do hormônio GLP-1, utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, e faz parte da meta da autarquia de zerar a fila de análise de pedidos de registro até o fim de dezembro.
A expansão do catálogo de medicamentos regulamentados busca ampliar a concorrência entre as farmacêuticas e, consequentemente, baratear os preços finais ao consumidor. Apenas neste ano de 2026, a agência já autorizou seis novas opções à base de semaglutida: o Ozivy, produzido pela EMS e liberado em maio, além do Zempneo (Brainfarma), Semavy (Cosmed), Orsema (Ranbaxy), Seemasun (Sun Farmacêutica) e Owozy (Ávita Care), autorizados na última semana.
A chegada de novas marcas tenta equilibrar um mercado hoje marcado por valores elevados na rede privada. Atualmente, os preços praticados no comércio variam de R$ 630 para opções mais recentes, como o Ozivy, até R$ 3.800 no caso do Mounjaro, a depender da dose e da rede de farmácias. Medicamentos populares como o Ozempic transitam entre R$ 950 e R$ 1.300, enquanto o Wegovy varia de R$ 1.080 a R$ 2.700.
Segundo a Anvisa, tornar as versões oficiais mais acessíveis é essencial para conter o avanço do mercado clandestino e do contrabando, alimentados justamente pelo custo proibitivo dos produtos originais. Para reforçar esse combate, a agência intensificará a fiscalização nas regiões fronteiriças, especialmente com o Paraguai, com a previsão de assinar um memorando de entendimento com a autoridade sanitária paraguaia para o intercâmbio de dados e operações conjuntas.
Apesar do aumento do interesse da população pelo tratamento, as canetas seguem indisponíveis na rede pública e exigem receita para compra particular. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recomendou a não inclusão das substâncias no sistema público de saúde devido ao impacto financeiro estimado em mais de R$ 8 bilhões pelo Ministério da Saúde, o que tornou a medida orçamentariamente inviável.



