A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou o início da cobrança do pedágio sem cancela em mais três rodovias do Paraná num momento em que cresce a oposição política aos pórticos do sistema free flow (cancela livre). O pedágio eletrônico está liberado para funcionar na BR-163, em Lindoeste (Região Oeste); na PR-182, em Ampére (Sudoeste); e na PR-280, em Pato Branco (Sudoeste), sob operação da concessionária EPR Iguaçu.
A localização dos pórticos de cobrança, sobretudo nas regiões Norte e Noroeste, é um dos principais motivos de insatisfação no Paraná. Os equipamentos estão sendo instalados em locais diferentes das atuais praças físicas de pedágio, sem diálogo com as comunidades afetadas, de acordo com parlamentares, que alegam risco de cobrança integral da tarifa em deslocamentos curtos e impacto no dia a dia das populações lindeiras.
Na última quinta-feira (12), no mesmo dia em que a ANTT liberou os três novos pedágios, os deputados estaduais Evandro Araújo (PSD) e Luiz Claudio Romanelli (PSD) enviaram um requerimento ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná solicitando a suspensão da instalação de pórticos eletrônicos em locais onde há conflitos com moradores.
Esse tipo de mobilização já surtiu efeito recentemente, quando um pórtico do free flow na BR-369, em Rolândia (Norte do Paraná), foi alterado de lugar pelo DER em acordo com a concessionária, após a reação contrária da comunidade e de parlamentares. O equipamento funcionará agora na antiga praça de pedágio de Arapongas.
“O que estamos vendo é que as concessionárias estão instalando os pórticos eletrônicos considerando apenas fins arrecadatórios, sem avaliar o impacto à comunidade e aos moradores lindeiros. Isso está errado. O interesse público deve prevalecer quando há pessoas sendo prejudicadas, especialmente quando o deslocamento das antigas praças físicas ocorre deliberadamente para ampliar a arrecadação, mesmo gerando injustiças”, afirmou o deputado estadual Evandro Araújo (PSD).
O documento cita situações que têm gerado conflitos nos trechos no Norte do estado, como entre Marialva e Mandaguari; Presidente Castelo Branco e Mandaguaçu; e Jataizinho, além de outros casos semelhantes em diferentes regiões do estado.
“O caso da correção do pórtico de Rolândia é uma notícia positiva, fruto da cobrança que fizemos em conjunto com setores da comunidade e empresários. O que consideramos justo agora é um olhar ampliado para todos os casos, pois todos os paranaenses merecem tratamento isonômico em um tema tão sensível à sua rotina”, disse o deputado Evandro Araújo.
A polêmica em torno da antecipação dos pedágios eletrônicos, também chamada de “free flow”, ganhou repercussão após o início da instalação de pórticos nas regiões Norte e Noroeste do Estado (lotes 4 e 5).
O deputado Evandro Araújo alegou que, após a autorização para funcionamento, os pórticos poderão cobrar tarifa cheia, e não proporcional ao trecho percorrido, o que pode impactar diretamente moradores lindeiros e usuários que realizam deslocamentos curtos e frequentes.
Além da cobrança integral, outro ponto considerado relevante é a localização dos pórticos, instalados a uma distância significativa das antigas praças físicas de pedágio. Os deputados alegam que essa medida amplia o número de usuários atingidos e não atende ao interesse público.
No início de fevereiro, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) encaminhou um ofício à ANTT cobrando esclarecimentos sobre a instalação dos pontos de cobrança do pedágio sem cancela.



