Aluno surdo da rede estadual conquista 1º lugar em Educação Física na Universidade Estadual de Maringá

Aos 18 anos, Carlos Daniel Caetano Cardoso, estudante com deficiência auditiva da rede estadual de ensino em Ivaiporã, no Vale do Ivaí, alcançou uma conquista histórica: conquistou o 1º lugar no curso de Educação Física pelo programa Aprova Paraná Universidades e vai ingressar na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Ele será o primeiro da família, composta por cinco irmãos, a chegar ao ensino superior.

A trajetória escolar foi marcada por desafios e perseverança. Carlos se comunica por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e contou com apoio de intérprete ao longo dos estudos. “Foi bem difícil no começo, porque eu não tinha intérprete antes do 6º ano”, relembra. A mudança aconteceu quando passou a estudar no Colégio Estadual Barão do Cerro Azul, onde encontrou suporte adequado e um ambiente mais inclusivo.

Segundo ele, o acolhimento da escola fez diferença no aprendizado. “Alguns colegas não sabiam Libras, mas a intérprete ofereceu aulas básicas de comunicação para a turma e para outras pessoas da escola. Isso ajudou muito”, conta. Com o apoio dos professores e da equipe pedagógica, Carlos evoluiu rapidamente e manteve bom desempenho acadêmico.

O estudante também integra o grupo de Altas Habilidades/Superdotação, com destaque em Matemática, Biologia e Língua Portuguesa. Identificado ainda no 9º ano do Ensino Fundamental, frequentou o Atendimento Educacional Especializado (AEE), que contribuiu diretamente para sua aprovação. “Ajudou bastante. Parei de ter dificuldades em algumas matérias e, nas provas, caíram conteúdos que os professores tinham trabalhado”, afirma.

Além de se destacar nos estudos, Carlos costuma ajudar colegas, especialmente em Matemática. “Os professores perceberam que eu aprendia rápido e que gostava de ensinar outros alunos”, diz. Essa vocação para ajudar também influenciou suas escolhas profissionais — além de Educação Física, considerou Psicologia e Serviço Social.

A decisão pelo curso está ligada ao desejo de promover saúde e bem-estar. “Sempre gostei da área da saúde. É importante manter o corpo e a mente saudáveis. Quero ser personal trainer para ajudar outras pessoas”, explica.

Ao conferir o resultado da classificação, a reação foi de surpresa. “Fiquei paralisado olhando para a tela por uns 30 segundos. Depois, fiquei muito feliz e contei para a família e para os amigos. Pensei: ‘é uma conquista muito grande’”, relata.

A mãe, Nilceia Caetano Prado, expressa orgulho ao ver o filho superar desafios. “O Carlos é uma bênção. Apesar das dificuldades que enfrentou e ainda vai enfrentar com a surdez, é um excelente aluno”, afirma. Ela também destaca a emoção de ver o filho alcançar oportunidades que não teve. “Na nossa época, a prioridade era trabalhar na roça. Hoje, ver ele chegando à universidade é motivo de muita felicidade para toda a família”, diz.

A história de Carlos reforça o papel transformador da educação na promoção da inclusão e no reconhecimento de talentos. “Quando o Estado garante apoio, inclusão e preparação adequada, o talento encontra caminho. O Aprova Paraná Universidades existe para ampliar oportunidades e levar nossos estudantes cada vez mais longe”, afirmou o secretário estadual da Educação, Roni Miranda.

O programa Aprova Paraná Universidades amplia o acesso ao ensino superior ao utilizar a nota da Prova Paraná Mais e reservar 20% das vagas nas universidades estaduais — entre elas UEL, UEM, UEPG, UENP, Unespar, Unioeste e Unicentro — para estudantes oriundos de escolas públicas. Nesta edição, foram ofertadas 3.757 vagas em 440 cursos superiores.

Fonte: AEN