Um caso grave de assédio sexual envolvendo alunas de uma escola cívico-militar no Paraná veio à tona: pelo menos nove meninas, entre 11 e 13 anos, acusaram um monitor militar de toques indevidos, incluindo o seio de uma delas, em 2023. As vítimas relataram ter sido comparadas a “prostitutas” durante os episódios, que ocorreram em uma unidade de Cornélio Procópio.
As denúncias foram levadas à polícia, e uma investigação por estupro de vulnerável foi aberta. O processo segue sob sigilo na Justiça, ainda em fase recursal — o que significa que não há condenação até o momento. Em uma reviravolta, o Ministério Público do Paraná pediu a absolvição do acusado.
Enquanto isso, o monitor continuou trabalhando na mesma escola após as acusações, sendo afastado apenas para funções administrativas. Foi desligado pelo governo estadual quase dois anos depois, em 2025.
Esse não é um caso isolado. Escolas cívico-militares, implementadas a partir de 2021 com promessas de disciplina e segurança, têm acumulado denúncias de assédio e violência sexual contra estudantes. O Paraná concentra 55% das matrículas nesse modelo no país, que é uma das bandeiras do governador Ratinho Júnior (PSD) e deve ser expandido em 2026.
A BBC News Brasil identificou ao menos quatro casos de abuso com investigação policial e demissões, todos mantidos sob sigilo. Não há, porém, dados públicos que dimensionem a real extensão do problema.
O governo do Paraná afirma adotar “política de zero tolerância” a assédio e violência nas escolas, mencionando a demissão de envolvidos em 14 casos — sem dar detalhes. Enquanto isso, o modelo é alvo de críticas de educadores e de uma ação no STF, onde PT e PSOL contestam a “militarização precoce” de estudantes.
As escolas cívico-militares seguem populares entre famílias, que enfrentam filas de espera por vagas, mas as sombras das violações permanecem — muitas vezes longe dos holofotes.



