Jessicão nega discriminação após sugerir demissão de petistas

A vereadora de Londrina e deputada estadual eleita Jessicão (PL) negou que tenha incentivado a discriminação política após publicar uma mensagem nas redes sociais sugerindo a demissão de trabalhadores petistas. Em nota divulgada nesta segunda-feira (26), ela afirmou que a declaração ocorreu no contexto do debate político e democrático.

A manifestação foi feita após o deputado estadual Requião Filho (PDT) encaminhar um ofício ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria Regional Eleitoral no Paraná, solicitando a análise de possível assédio eleitoral.

“Em nenhum momento sua fala representou defesa de práticas discriminatórias ou do uso da preferência partidária como motivação para desligamentos profissionais”, diz o comunicado enviado pela assessoria da parlamentar.

Jessicão defende liberdade de expressão

Na nota, Jessicão reafirmou suas convicções políticas e defendeu a liberdade de expressão. A parlamentar também declarou respeitar o direito dos trabalhadores às próprias escolhas políticas e a autonomia dos empregadores na condução de seus negócios, desde que dentro dos limites da lei.

A vereadora afirmou ainda que respeita o papel das instituições responsáveis pela análise do caso e destacou que a abertura de uma apuração não significa comprovação de irregularidade ou condenação.

“A verdadeira liberdade não pode ser seletiva: deve ser garantida a todos, sem exceção”, conclui o comunicado.

Publicação motivou pedido de apuração

A repercussão começou após uma publicação feita por Jessicão na rede social X, no domingo (25), dia do segundo turno das eleições presidenciais. Na mensagem, ela incentivou empregadores a demitir funcionários identificados como petistas e sugeriu o rompimento de relações profissionais e pessoais por divergências políticas.

“A porcaria do voto dele prejudica o seu negócio, prejudica a sua família e prejudica toda a sua vida! Demita o mal”, escreveu a parlamentar.

Após a publicação, Requião Filho criticou a declaração e encaminhou o pedido de análise aos órgãos competentes. O deputado defendeu a responsabilização de pessoas que promovam perseguição ou discriminação no ambiente de trabalho por causa de convicções políticas.

“É inaceitável que trabalhadores sejam ameaçados de perder seus empregos por causa de suas convicções políticas ou do voto que fizeram. A democracia pressupõe liberdade de escolha, e ninguém pode ser perseguido ou discriminado por sua posição política”, afirmou.

O documento apresentado por Requião Filho cita normas da Justiça do Trabalho relacionadas ao assédio eleitoral, que pode envolver coação, intimidação, ameaça ou constrangimento de trabalhadores em razão de suas escolhas políticas.

Até o momento, o encaminhamento representa um pedido de análise. A eventual caracterização de assédio eleitoral dependerá da avaliação dos órgãos competentes.