Pico do El Niño já tem data no Paraná e gera preocupação

O fenômeno climático Super El Niño continua ganhando força no Oceano Pacífico Equatorial e deve atingir seu pico de intensidade máxima entre outubro e dezembro de 2026, com reflexos severos no Paraná. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) e dados de institutos internacionais, há mais de 90% de probabilidade de o evento alcançar a classificação “muito forte” durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. Na prática, a influência do fenômeno se estenderá até o primeiro trimestre de 2027, provocando chuvas significativamente acima da média e aumentando o risco de inundações, enxurradas e tempestades severas, especialmente nas regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul do estado.

A confirmação do avanço do fenômeno foi detalhada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A agência registrou, em julho, que a temperatura da superfície do mar em regiões de monitoramento ficou 1,4°C acima da média climatológica, havendo a possibilidade de ultrapassar a marca de 2°C de anomalia térmica. Esse aquecimento, que também atinge profundidades de até 200 metros, é o motor que altera a circulação atmosférica global. Embora o El Niño não signifique chuva contínua todos os dias, ele cria as condições ideais para que frentes frias e áreas de baixa pressão atuem com muito mais intensidade no Sul do Brasil.

Os sinais dessa mudança drástica de padrão já puderam ser contabilizados durante o inverno paranaense, antecedendo o pico do fenômeno. Um levantamento do Simepar mostrou que, em julho, 41 das 45 estações meteorológicas do estado registraram volumes de chuva superiores à média histórica, repetindo uma tendência de umidade já observada em junho. A cidade de Palmas, por exemplo, acumulou 311 milímetros em julho, o maior índice para o mês em 28 anos. Quebras de recordes pluviométricos mensais também foram confirmadas nos municípios de Altônia, Cianorte, Cornélio Procópio, Cruzeiro do Iguaçu, Foz do Iguaçu e Ubiratã.

Diante da consolidação deste cenário excessivamente úmido, o setor agrícola precisa redobrar a atenção e o planejamento. Se por um lado as chuvas encerram períodos de seca e garantem água para as culturas, por outro, a manutenção prolongada de solos encharcados traz desafios graves. O excesso de umidade pode inviabilizar o maquinário para o plantio e a colheita, favorecer a proliferação de doenças fúngicas, comprometer a qualidade final dos grãos e acelerar processos de erosão do solo. Como os impactos podem variar entre as microrregiões do estado, as autoridades meteorológicas reforçam a necessidade de um acompanhamento diário das previsões de curto prazo para a tomada de decisões no campo e nas cidades.