Bento Angelino da Rocha, sargento aposentado do Exército, foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão; ele também responde a outro processo por crime sexual e investigações apontam que novas vítimas podem surgir
O sargento Bento Angelino da Rocha, ex-maestro voluntário de fanfarra infantil na escola Estadual Lea Germana Monteiro e Escola Municipal João Gualberto da Silva – EIEF, em Guaratuba, foi preso para começar a cumprir a pena após condenação definitiva pelo crime de estupro de vulnerável (Art. 217-A do Código Penal).
A pena fixada pela Justiça foi de 9 anos e 4 meses de reclusão, encerrando um processo que teve início em 2019, quando a vítima procurou as autoridades e denunciou os abusos. Após cerca de sete anos de tramitação, o Judiciário concluiu pela condenação do réu, após a confirmação das provas e observância do devido processo legal.
A prisão ocorreu na terça-feira (28), em cumprimento à decisão judicial. Por ser sargento da reserva do Exército Brasileiro, Bento Angelino da Rocha encontra-se preso no 62º Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro em Joinville, onde permanece à disposição da Justiça enquanto são cumpridos os procedimentos legais previstos para militares da reserva condenados criminalmente.
Da carreira militar ao trabalho com crianças
Durante sua trajetória no Exército Brasileiro, Bento Angelino da Rocha integrou a banda militar. Após passar para a reserva, decidiu atuar voluntariamente como maestro de uma fanfarra infantil em escolas públicas de Guaratuba.
A atividade o colocava em contato direto com crianças e adolescentes, circunstância que ganha relevância diante da natureza do crime pelo qual foi condenado.
Outro processo criminal
Além da condenação que resultou na prisão, Bento Angelino da Rocha responde a outro processo envolvendo uma segunda suposta vítima de violência sexual.
Este procedimento ainda está em tramitação e será analisado pelo Poder Judiciário.
Informações obtidas durante as investigações também indicam que outras possíveis vítimas poderão procurar as autoridades após a divulgação do caso.
Crimes sexuais costumam levar anos até a denúncia
Especialistas explicam que a violência sexual contra crianças e adolescentes frequentemente permanece oculta por longos períodos. O medo, a manipulação psicológica, o sentimento de culpa e a relação de confiança existente entre vítima e agressor fazem com que muitas denúncias sejam registradas apenas anos depois dos fatos.
Por essa razão, não é incomum que investigações revelem novas vítimas após a condenação de um agressor, quando outras pessoas se sentem seguras para romper o silêncio.
Em respeito à legislação brasileira, esta reportagem preserva integralmente a identidade das vítimas, conforme determinam o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e demais normas de proteção à infância.
Como denunciar
Casos de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados por qualquer pessoa.
Os principais canais de denúncia são:
• Disque Denúncia 181, serviço telefônico e online gratuito de utilidade pública para envio de denúncias de crimes com garantia de anonimato e sigilo absoluto.
• Disque 100, serviço nacional gratuito e sigiloso de proteção aos direitos humanos;
• Polícia Civil, em qualquer delegacia ou nas unidades especializadas de proteção à criança e ao adolescente;
• Conselho Tutelar do município;
• Polícia Militar, pelo telefone 190, em situações de emergência;
• Ministério Público, que também pode receber denúncias e acompanhar as investigações.
As autoridades reforçam que não é necessário possuir todas as provas para comunicar uma suspeita. A apuração é responsabilidade dos órgãos competentes, que também adotam medidas de proteção às vítimas e às testemunhas.
Combate depende das denúncias
Especialistas destacam que o enfrentamento da violência sexual infantil depende da atuação conjunta da sociedade, das famílias e das instituições públicas. A denúncia é considerada uma das principais ferramentas para interromper ciclos de abuso, responsabilizar agressores e evitar que novas crianças e adolescentes sejam vítimas desse tipo de crime.



