O excesso também ocupa lugar à mesa.
Existe uma ideia bastante comum quando falamos em mesa posta: quanto mais peças, mais elegante ela será. Sousplats, pratos, taças, talheres, adornos… muitas pessoas acreditam que uma mesa sofisticada é aquela em que nada ficou de fora.
Mas a elegância nem sempre está em acrescentar. Na verdade, muitas vezes ela está em saber o que tirar.
Recentemente, uma seguidora me enviou a foto da mesa de fondue que preparou para receber a família. Ela havia montado tudo com muito carinho e, antes de servir, me perguntou: “Está certo?”
A dúvida era sincera e representa o que muita gente pensa: existe uma quantidade ideal de peças? Existe uma regra que determine o que deve ou não estar sobre a mesa?
Minha resposta foi simples. Mais importante do que colocar tudo é colocar apenas aquilo que faz sentido para a ocasião.
No caso do fondue, por exemplo, a própria refeição já exige bastante espaço. Há a panela, o réchaud, os molhos, as carnes, os acompanhamentos, os utensílios específicos e tudo aquilo que faz parte da experiência. Acrescentar pratos ou peças que sequer serão utilizados pode deixar a mesa visualmente carregada e, principalmente, menos confortável para quem está sentado ao redor dela.
Receber bem nunca foi uma demonstração de excesso. É uma demonstração de cuidado.
Muitas vezes, colocamos coisas demais porque queremos mostrar capricho. Queremos que a mesa impressione, que transmita dedicação, que revele o quanto nos empenhamos em preparar aquele momento.
Mas hospitalidade não é sobre impressionar. É sobre facilitar.
Uma mesa bem planejada permite que os convidados se movimentem com naturalidade, alcancem os alimentos com facilidade e aproveitem a refeição sem obstáculos. Cada peça deve cumprir uma função. Quando tudo tem um propósito, a experiência se torna mais leve e agradável.
Esse princípio vale para qualquer ocasião. Um café da manhã em família, um almoço de domingo ou um jantar especial não precisam de excesso para serem memoráveis. Precisam de escolhas conscientes.
A melhor mesa não é a que reúne o maior número de elementos. É aquela em que ninguém sente falta de nada. Nem de espaço. Nem de conforto. Nem da vontade de permanecer mais um pouco.
Porque, no fim das contas, a verdadeira elegância não está na quantidade de peças que colocamos sobre a mesa.
Está na sensibilidade de perceber que, às vezes, o que torna uma experiência inesquecível é justamente aquilo que escolhemos deixar de fora.



