O diagnóstico de mieloma múltiplo — um tipo de câncer de sangue que atinge as células plasmáticas na medula óssea — costuma vir acompanhado de grande impacto para os pacientes. Sem cura definitiva, a condição afeta a produção de células de defesa saudáveis e provoca sintomas como dores intensas nos ossos, fraturas espontâneas, fraqueza contínua e problemas renais.
Esses foram os sinais percebidos por Nícia Dalfre, de 67 anos, que fraturou uma vértebra enquanto andava de bicicleta, e Mônica Deganello, de 58 anos, que conviveu anos com anemia crônica até descobrir a causa subjacente. A trajetória das duas tomou um novo rumo ao aceitarem participar dos ensaios clínicos do TEC-DARA, um tratamento imunoterápico inovador.
A terapia consiste na combinação dos medicamentos Teclistamabe e Daratumumabe, desenvolvidos pela farmacêutica Johnson & Johnson. Diferente da quimioterapia tradicional — que atinge as células do corpo de forma ampla —, o TEC-DARA atua como um direcionador de precisão: conecta-se simultaneamente à célula cancerígena e ao linfócito T (célula de defesa do paciente), guiando o sistema imune para atacar e destruir o tumor.
Estudos clínicos apontam que o protocolo, aprovado pela Anvisa para pacientes que tiveram a primeira recaída da doença, reduz em 83% o risco de progressão da enfermidade ou morte.
Qualidade de vida e salto na sobrevida
Segundo a médica hematologista Vania Hungria, uma das referências nacionais no estudo e combate ao mieloma múltiplo, a resposta ao TEC-DARA no cenário científico não tem precedentes para quadros de recaída. Enquanto tratamentos antigos garantiam uma sobrevida média de cinco anos, as novas abordagens permitem que a sobrevida chegue a 17 anos.



