Um homem recém-saído da prisão e monitorado por tornozeleira eletrônica foi preso em flagrante, em Ponta Grossa, sob a acusação de extorquir a própria irmã. Para chantagear a vítima, ele e seus comparsas utilizaram a suposta dívida de drogas de um filho da mulher, assassinado em 2024, e ameaçaram matar os familiares dela, incluindo um neto de apenas seis anos. A prisão ocorreu após a Polícia Militar localizar o veículo utilizado pelos criminosos logo após o recolhimento do dinheiro exigido.
A investigação aponta que o irmão foi o mentor intelectual do crime. As ameaças começaram por meio de um aplicativo de mensagens, com áudios temporários em que os suspeitos afirmavam pertencer a uma facção criminosa. Inicialmente, o grupo exigiu o pagamento de R$ 30 mil, valor que foi posteriormente reduzido para R$ 15 mil. Abalada com o risco sofrido pela família, a vítima relatou o pavor constante, destacando o impacto das intimidações contra a criança. “Ameaçaram meus netos, falaram do piazinho do meu filho assassinado. Esse que me doeu mais, porque o piá já é sem pai”, desabafou a mulher em depoimento à polícia.
Acreditando na veracidade das ameaças e temendo pela própria vida, a vítima conseguiu R$ 10 mil emprestados para cumprir o prazo imposto pelos chantagistas. O montante foi entregue em um saco preto, no portão de sua residência. Embora a mulher não desconfiasse inicialmente do irmão, a filha dela já suspeitava do envolvimento do tio, que possuía histórico de aplicar golpes na própria família. Segundo a vítima, a reaproximação com o homem ocorreu por pena, logo após ele deixar a cadeia. “Eu tentei ajudar ele com conselho, pensando que ele ia mudar. Eu jamais imaginei que ele ia fazer isso comigo”, lamentou.
Para evitar suspeitas, o próprio irmão havia preparado o terreno para a extorsão, comentando dias antes que supostos cobradores de Santa Catarina estariam a caminho e aconselhando a mulher a pagar a dívida para proteger os netos. O esquema foi desmantelado quando a Polícia Militar abordou o veículo do grupo, prendendo o mentor e um comparsa, além de recuperar parte do valor levado. Durante a audiência de custódia, os dois detidos permaneceram em silêncio e tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva pelo juiz. Um terceiro suspeito, flagrado por câmeras de segurança junto ao grupo em um posto de combustíveis antes do recolhimento do dinheiro, segue foragido.



