Um caso que gerou indignação em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, está sendo investigado pela Justiça após mães denunciarem que crianças da Ocupação Ericson John Duarte estariam sofrendo constrangimentos e tratamento discriminatório ao chegarem com barro nos sapatos e nas roupas em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI).
De acordo com os relatos, os alunos seriam alvo de abordagens na entrada da unidade por causa das condições em que chegam à escola, consequência da falta de infraestrutura na comunidade onde vivem. Um vídeo gravado pelas famílias mostra uma educadora verificando os pés das crianças no momento da entrada.
As denúncias apontam que as situações teriam ocorrido diversas vezes no CMEI Profª Elisiane do Rocio Hilgemberg Manys. Segundo a ação apresentada à Justiça, as crianças estariam sendo expostas a episódios considerados humilhantes e vexatórios, gerando revolta entre os pais.
O documento também sustenta que alunos de outras regiões que chegam em condições semelhantes não receberiam o mesmo tratamento. As famílias afirmam que os episódios atingem principalmente moradores da ocupação, formada majoritariamente por famílias negras, e apontam possível discriminação social e racismo estrutural.
Diante da gravidade das denúncias, a 1ª Vara da Fazenda Pública de Ponta Grossa determinou o envio de ofícios para diversos órgãos, incluindo a Prefeitura, a Secretaria Municipal de Educação, o Ministério Público do Paraná, o Conselho Tutelar e a Vara da Infância e Juventude, solicitando esclarecimentos e providências.
O caso repercutiu nas redes sociais e reacendeu o debate sobre preconceito, desigualdade social e o tratamento dado a crianças em situação de vulnerabilidade.
fonte: g1



