Marçal é condenado a indenizar Boulos em R$ 100 mil por fake news sobre drogas

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou o empresário Pablo Marçal (PRTB) a pagar R$ 100 mil por danos morais ao ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL). A decisão aponta que Marçal tentou “aniquilar” a reputação do psolista ao disseminar uma fake news de que ele seria usuário de cocaína.

A conduta ocorreu durante a campanha à Prefeitura de São Paulo em 2024, quando os dois se enfrentaram nas eleições. Segundo o juiz Danilo Fadel de Castro, da 10ª Vara Cível, Marçal “ultrapassou, e muito, as raias do debate político civilizado e da crítica administrativa”.

A defesa do empresário informou que irá recorrer. “A defesa ingressará com o recurso cabível, na medida em que entendemos que o magistrado não agiu com o devido e costumeiro acerto”, afirmou.

Laudo falso foi considerado o “ápice” da gravidade

Às vésperas do primeiro turno, Marçal chegou a divulgar um laudo médico falso sobre uma suposta internação de Boulos — episódio que, para o juiz, representou o “ápice” da gravidade da conduta. O documento continha até mesmo a assinatura forjada de um médico já falecido.

“A prova dos autos é robusta e contundente. O réu, de forma reiterada, associou a imagem do autor ao uso de drogas ilícitas (cocaína), utilizando-se de gestos (tocar o nariz e aspirar) e alcunhas pejorativas (“aspirador de pó”, “cheirador”), sem apresentar qualquer prova de suas alegações”, diz a decisão.

A defesa ainda tentou levar o caso exclusivamente para a Justiça Eleitoral, mas o pedido foi rejeitado. O entendimento foi de que se trata de dano moral, um ilícito civil, e não de propaganda irregular, que seria de competência eleitoral.

Marçal também está inelegível até 2032

Além da condenação no TJ-SP, Pablo Marçal enfrenta problemas na Justiça Eleitoral. Ele está inelegível até 2032 por abuso de poder econômico, após promover campeonatos de cortes de vídeo nas redes sociais durante a campanha.

O episódio envolvendo o laudo falso também teria enfraquecido sua trajetória na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Marçal terminou o primeiro turno com chances reais de avançar ao segundo, em disputa apertada com Boulos e com o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB).

fonte: metrópoles