Depois de passar 214 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em decorrência de uma doença grave e rara, uma moradora do Paraná, de 68 anos, voltou para casa e viveu as primeiras 24 horas ao lado da família em Iporã, no Norte do estado.
Conceição Aparecida Gomes recebeu alta no fim da tarde de quinta-feira (29) e, nesta sexta-feira (30), celebrou o retorno ao lar após um longo período de internação. Ela foi diagnosticada com encefalite de Bickerstaff, uma condição inflamatória rara que a deixou em estado crítico, com sintomas semelhantes aos de morte cerebral.
A saída do Hospital Cemil, em Umuarama, foi marcada por uma homenagem organizada por profissionais de saúde e familiares, que formaram um corredor humano com balões para simbolizar a superação. Ao todo, foram 225 dias de internação, sendo 214 deles na UTI. Mesmo ainda com traqueostomia e dificuldade para se comunicar, Conceição demonstrou emoção ao deixar a unidade hospitalar e reencontrar os parentes.
O problema de saúde começou após um quadro infeccioso associado à febre chikungunya. O diagnóstico definitivo só foi confirmado no oitavo dia de internação, após uma série de exames e avaliações de uma equipe multidisciplinar. Inicialmente, o estado clínico indicava possibilidade de morte encefálica, até que a investigação apontou a encefalite rara, considerada uma variação da síndrome de Guillain-Barré.
O tratamento envolveu aplicação de imunoglobulina intravenosa e suporte intensivo contínuo. Durante o período, a paciente enfrentou complicações como infecções, reações alérgicas e até uma parada cardiorrespiratória, revertida pela equipe médica. Os primeiros sinais de reação surgiram por volta do 12º dia, quando ela conseguiu mover a cabeça ao ouvir a voz de um dos filhos.
Ao longo de mais de sete meses, os três filhos mantiveram presença constante no hospital, revezando-se nas visitas e oferecendo apoio emocional, fator apontado pelos profissionais como importante para a evolução do quadro.
De volta para casa, Conceição encontrou uma estrutura adaptada, com cama hospitalar, equipamentos de apoio e acompanhamento de cuidadora. Embora ainda não consiga caminhar e necessite de reabilitação física, ela apresenta movimentos preservados e segue em processo gradual de recuperação.



