Alcolumbre sob investigação: Presidente do Senado teria recebido medicamento de empresário foragido investigado pela PF

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está no centro de uma polêmica após a divulgação de mensagens que indicam o recebimento de canetas do medicamento Mounjaro, um produto ainda não autorizado pela Anvisa à época, de Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco. As informações, divulgadas pelo UOL, revelam uma troca de mensagens entre Alcolumbre, o empresário e um motorista particular, sugerindo um esquema para o envio do medicamento ao senador.

Beto Louco é alvo de investigações da Polícia Federal (PF) por suspeita de envolvimento em fraudes de combustíveis e lavagem de dinheiro. Ele está foragido após ser alvo das operações Carbono Oculto, Tank e Quasar. A assessoria de Davi Alcolumbre ainda não se manifestou sobre as denúncias.

As mensagens obtidas pelo UOL revelam que, em agosto de 2024, Alcolumbre demonstrava dificuldades em obter o medicamento, que só seria liberado pela Anvisa em junho de 2025. Na época, o acesso ao Mounjaro era restrito ao mercado paralelo ou a quem viajava para o exterior, com cada unidade custando cerca de R$ 15 mil.

Um dia antes das conversas, Alcolumbre e Beto Louco estiveram presentes em uma festa de aniversário do presidente do União Brasil, Antonio Rueda. Segundo relatos, durante o evento, o senador comentou sobre a dificuldade em adquirir o Mounjaro no Brasil, e Beto Louco se ofereceu para conseguir o medicamento por meio de uma pessoa que viajava frequentemente a Dubai.

As mensagens revelam que Beto Louco comunicou ao motorista a chegada do “medicamento” em um voo comercial, instruindo-o a buscar o pacote e entregá-lo a Alcolumbre. Posteriormente, o então motorista pessoal do senador, Janduí Nunes Bezerra Filho, confirmou a entrega a Beto Louco, informando que Alcolumbre já estava ciente. Janduí ocupa cargos comissionados ligados ao senador desde 2015 e atualmente atua como auxiliar parlamentar sênior no gabinete.

Em áudio obtido pela reportagem, Janduí confirma a entrega do material e informa que Alcolumbre já foi notificado. A PF investiga a possível ligação de postos de combustíveis envolvidos no esquema criminoso com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A defesa de Beto Louco nega qualquer relação do empresário com o PCC, alegando a inexistência de provas que sustentem tal ligação.