O ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, pode ter a oportunidade de reduzir sua pena de 27 anos e três meses. A possibilidade surge através da participação no programa “Ler Liberta”, uma iniciativa do Distrito Federal que visa a remição de pena por meio da leitura.
Desenvolvido em parceria entre a Secretaria de Administração Penitenciária e a Secretaria de Educação do DF, o programa oferece a detentos a chance de diminuir quatro dias de sua pena para cada livro lido. A leitura, no entanto, precisa ser comprovada por meio de um relatório detalhado.
Entre as obras oferecidas pelo programa, encontram-se clássicos da literatura brasileira, como “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, “Sagarana”, de Guimarães Rosa, e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. Além disso, obras contemporâneas como “Tudo é Rio”, de Carla Madeira, e “Dias Perfeitos” também fazem parte da seleção.
O programa também inclui livros de relevância histórica e filosófica, como “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva, que narra a história da mãe do autor durante a ditadura militar, e “O Processo”, de Franz Kafka, que aborda os dilemas de uma acusação inesperada. “Ainda Estou Aqui” inspirou o filme homônimo vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2024.
A participação no “Ler Liberta” é voluntária. Cada detento recebe o livro em sua cela, acompanhado de um manual explicativo sobre a remição da pena. O prazo para leitura é de 21 dias, e o relatório deve ser entregue em até dez dias, sendo avaliado quanto à qualidade, autenticidade e clareza. No Distrito Federal, cada preso pode ler até 11 obras por ano, potencialmente reduzindo a pena em até 44 dias.



