Entrevista com o pré-candidato ao governo do Paraná, Osmar Dias

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Pois, pois, continuamos com a série de entrevistas com os pré-candidatos ao governo do estado com maior expressão, segundo pesquisas de opinião pública. Na edição anterior do jornal impresso entrevistamos o deputado Ratinho Jr. Nessa, fomos até Curitiba conversar com o ex-senador, Osmar Dias.

Ouça aqui:

 

O Senhor já se declarou pré-candidato ao governo estadual, essa candidatura realmente vai acontecer? Algumas especulações dizem que você pode desistir de disputar o governo e ser candidato ao senado…

R: “Você afirmou bem, especulações… Especulações não são verdades, a verdade é que eu sou pré-candidato, serei candidato a governador, estou preparando um projeto há mais de 06 meses, onde minha equipe se reúne diariamente para construir esse plano e pretendo durante o processo da campanha eleitoral apresentar minhas propostas e meus projetos para o governo do estado. E de cara já digo: Sou, neste momento, o único candidato de oposição ao modelo de governo que está aí”.

 

Nas duas eleições que o senhor disputou o governo, foram derrotas apertadas e sofridas. O que você levou de aprendizado dessas derrotas eleitorais? E não bate um certo receio de ficar no QUASE, mais uma vez?

R: “Não, eu entro nessa campanha muito mais preparado e com muito mais experiência, em um momento em que a classe política está desacredita e sem nenhuma confiança da população. Volto oito anos depois de ficar afastado da política para poder dar minha contribuição e creio que a população deseja ter um governador que rompa com este modelo de governo que loteia o estado em pedaços, partes, para agradar os seus apoiadores, os seus apadrinhados, eu quero romper com esse modelo que tem um preço muito alto para a população. Se a população entender que o modelo que eu quero implantar é o melhor para o estado, tudo bem…caso isso não aconteça, eu não tenho mais vaidade para ocupar um cargo público. Estou colocando meu nome para cumprir uma missão de extrema responsabilidade em um momento que o estado está em situação financeira não igual àquela que a televisão divulga em propaganda oficial, mas em situação muito preocupante em relação ao futuro. E para concertar isso precisamos de um governo austero e de muita responsabilidade para resolver os problemas sem a preocupação de estar agradando os parceiros. Eu digo de cara que não quero indicações políticas sem qualificação técnica, para fazer um governo sério é preciso pessoas qualificadas para ocupar cargos no governo, não como está acontecendo no momento”.

 

Pegando carona na parte de indicações políticas…. Sua aproximação com o PT, sua nomeação em um cargo de alto escalão no Banco do Brasil, o senhor tem algum receio que isso possa atrapalhar na corrida eleitoral?

R: “ Eu falei em qualificação técnica, eu tenho todas qualificações técnicas para assumir a vice-presidência de agronegócio do Banco do Brasil. Setor que eu não preciso fazer cursinho para entender, porque tenho uma vida dedicada ao agronegócio brasileiro, em especial no Paraná, e deixei no Banco do Brasil um grande legado, como por exemplo um programa de armazenagem que não existia e hoje beneficia produtores, cooperativas, para cobrir o déficit de armazenagem no país que é muito importante…deixei uma linha de crédito para financiar tecnologia na agricultura, que tem colocado a agricultura brasileira em um avanço ainda maior, entre outras coisas… Esse meu trabalho será reconhecido pelos produtores. Algumas pessoas têm preconceito em relação ao PT, mas eu quero dizer que não apoiei nenhuma lambança que foi feita nem pelo PT, nem pelo PSDB e nem pelo PMDB. Aqueles que dizem que é um problema por eu ter participado do governo da Dilma, se esquecem que votaram no AÉCIO, que fez a mesma lambança que muitos do PT fizeram. Tem gente presa do PT, do PMDB, do PSDB, do PP, tem empresários presos. Precisamos separar partidos de pessoas, projetos de falcatrua. Eu não apoiei falcatrua. Eu apoiei um projeto como a maioria dos brasileiros. Se há uma decepção da população em relação ao PT, essa decepção é minha também. E eu quero que o PT apresente candidato a eleição de governador, para ser julgado pelas urnas, não por mim…”

 

Então um apoio do PT à sua candidatura está descartado?

R: “Completamente. O PT terá candidato e será meu adversário nas eleições”.

 

Falando em alianças, o MDB paranaense e o Senador Roberto Requião vã apoiar o seu projeto ao governo do estado. Você terá um possível vice do MDB?

R: “O senador Requião foi governador do Paraná três vezes, eu converso com ele sobre o Paraná. Quem governou o Paraná três vezes tem experiência o suficiente para dar informações até para dizer o que não deve ser feito. E quanto a isso eu procuro sempre me informar. Sobre possíveis alianças, nós não podemos conversar enquanto o Requião estiver se colocando como candidato a governador, mas claro que eu gostaria de ter o apoio dele e do MDB sim”.

 

Ratinho Jr e Cida Borghettii, seus possíveis adversários, contam com o apoio da grande maioria dos prefeitos dos pequenos municípios do Paraná. O senhor não acha que não ter o apoio de um bom número de prefeitos pode atrapalhar? Lembrando que em 2006 você perdeu na maioria dos pequenos municípios, em uma eleição muito acirrada…

R: Claro que os prefeitos são importantes em uma eleição. Mas, essa é uma eleição muito diferente das demais… O fato do Ratinho e da Cida terem o apoio da maioria dos prefeitos já mostra que eles são candidatos da continuidade, do governo que está aí…. Essa é a maior prova que eles são candidatos para continuar com o mesmo modelo de governo que eu quero romper. E eu conto com o apoio da população, que no meu entendimento, não deseja continuar com esse modelo de governo que distribui cargos…. Esse modelo tem trazido muitos prejuízos ao desenvolvimento do Paraná. Recentemente vimos uma nomeação de uma pessoa para ser chefe de IAP de Cornélio Procópio e que está no Ministério Público por não ter qualificação para ocupar o cargo, também vimos a nomeação de alguém para um cargo da SANEPAR em Maringá sem nenhuma qualificação, claro que isso não vai dar certo…. É com esse modelo que eu quero romper. Então os prefeitos também têm que pensar que um bom governador vai ser importante para eles nos 2 anos que virão no final do seu mandato. E eu quero dizer aos prefeitos que convênios que eles estão assinando que tiverem legalidade e dentro do orçamento, se eu for eleito, eu cumprirei. Portanto, não há nenhuma preocupação de eu ter aí uma atuação dos prefeitos contra a minha candidatura, pode ter a favor de outras, mas não contra a minha”.

 

Lembrando dos últimos governadores: Jaime Lerner, Requião e Beto Richa, usando uma nota média 5, todos esses foram aprovados na prova final do Osmar Dias?

R: “Eu acho que essa nota foi dada pela população no final de cada governo quando se fez pesquisa e se constatou que muitos atos e muitas ações desses governos foram reprovadas. Por exemplo, a questão do pedágio que está aí até hoje explorando a população, praticamente isso já define qual a nota que se dá para um governador que implanta um pedágio sem cuidado com o contrato, sem cuidado com o preço dessas praças que, no meu entendimento, são escandalosos. Nós precisamos, inclusive, rever isso, fazer novas licitações e colocar isso num preço adequado e isso eu farei. Com relação aos outros governos cada um teve seus méritos e cada um teve os seus problemas. Quem dá nota é professor em sala de aula”.

 

Falando em professor, como será o relacionamento do “Governador Osmar Dias” com os professores. Já que tivemos episódios tristes entre professores e governos anteriores?

R: “Eu fui professor, diretor de faculdade, que hoje é a universidade do norte pioneiro, localizada em Bandeirantes. Minha filha é professora e eu tenho uma frase que define o que eu penso: Se não existisse nenhum professor no mundo, não existiria nenhuma outra profissão. Então, os educadores serão tratados por mim com o respeito eu gostaria que minha filha fosse tratada todos os dias em sala de aula. E isso significa: Diálogo, cumprir DATA-BASE, valorizar no sentido amplo da palavra trazendo a família para dentro da escola. Queremos fazer essa integração, para que tenhamos uma geração futura pensando muito mais em ter um emprego e construir uma família, do que em marginalidade…. Temos que valorizar os professores e brigar com os professores como aconteceu recentemente é um grande prejuízo, um grande atraso. Isso é uma demonstração de atraso que não deveria ter acontecido jamais”.

 

Finalizando, fica o questionamento: Chegou à hora de Osmar Dias governar o Paraná?

R: “ Passou um pouco da hora, mas nunca é tarde. Eu quando perdi as eleições, sempre disse que é preferível a derrota do que a desonra. Eu saí com a minha honra inabalável, com a minha dignidade. E é com isso que eu quero enfrentar essa caminhada para ser govenador do Paraná e romper com esse modelo de governo que barganha cargos por apoio, que barganha votos na assembleia em troca de emendas. Tudo isso, está trazendo um enorme prejuízo ao Paraná que é pago com o ajuste fiscal, que no meu entendimento não é um ajuste fiscal que foi feito… foi um “arrocho fiscal”. Então eu preciso colocar as minhas ideias e o meu projeto e esperar que a população decida”.

 

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